As inspeções subaquáticas aos pilares da infraestrutura são realizadas em períodos condicionados pelas marés e pelas correntes do rio, exigindo preparação rigorosa, experiência e precisão para avaliar, debaixo de água, o estado das fundações da estrutura.
No rio Tejo, até 40 metros de profundidade, trabalham os mergulhadores responsáveis pela inspeção subaquática dos pilares que sustentam a Ponte 25 de Abril, uma das infraestruturas mais emblemáticas de Portugal.
Na superfície, junto ao maciço de fundação da torre norte, o som ritmado da respiração do mergulhador, intercalado por breves palavras, domina o espaço onde decorre a operação. Sentado junto às consolas de monitorização, um técnico acompanha cada movimento e regista cuidadosamente as observações numa ficha de inspeção. Ao seu lado, outro colega assegura a calibração dos equipamentos que fornecem o ar ao mergulhador.
Tudo é preparado ao detalhe. O ar é regulado à superfície e conduzido até ao mergulhador através de um sistema de filtragem equipado com filtros de carvão ativado e sílica, concebido para remover impurezas que possam comprometer a segurança da operação.
Lá em baixo, o profissional avança pelas superfícies submersas dos maciços de fundação. A profundidade, por si só, não é o maior desafio. Nesta operação, o sistema utilizado permite controlar as condições do mergulho e assegurar que o trabalho decorre em segurança e com a precisão necessária.
Um desafio chamado rio Tejo
Neste tipo de trabalho, o maior desafio é o próprio rio Tejo. As operações estão totalmente dependentes das marés. Os trabalhos apenas podem ser realizados em períodos muito específicos, coincidindo com a maré baixa ou alta, momentos em que a corrente do rio abranda temporariamente.
Curiosamente, a maré cheia é a mais desejada pelas equipas, pois a água tende a apresentar melhores condições de visibilidade e maior limpeza. “Durante as inspeções, somos os olhos e o instrumento do inspetor e do engenheiro”, explica Felipe, mergulhador, acrescentando que "as avaliações visuais e táteis são complementadas com registos fotográficos e vídeo", que permitem documentar o estado da estrutura e identificar quaisquer sinais que possam ter impacto na sua durabilidade.
Ao mesmo tempo, é realizado um levantamento batimétrico, com recurso a sonar, do fundo do rio na envolvente das fundações dos pilares. O objetivo é perceber se entre inspeções é frequente ocorrerem alterações na morfologia do leito do Tejo e, se sim, qual a sua expressão nas imediações dos maciços de fundação, apesar de não existir qualquer risco para a estabilidade da estrutura, dada a profundidade que as fundações atingem abaixo do leito do rio.
Ainda assim, no Tejo, as condições podem mudar num instante. A alteração da maré pode dar origem a correntes fortes, dificultando a estabilidade do mergulhador e transformando cada movimento numa tarefa que exige precisão, experiência e concentração.
45 minutos submerso
Depois de cerca de 45 minutos na água, chega o momento de regressar à superfície. A cesta de mergulho que protege o mergulhador submerso é içada à superfície, onde dois membros da equipa o aguardam para ajudar a retirar o equipamento de segurança e inspeção.
Entre a força das correntes, a profundidade e as condições exigentes do Tejo, cada mergulho é um desafio. Um desafio que ocorre periodicamente e que a Infraestruturas de Portugal assume para garantir a conservação e a segurança da Ponte 25 de Abril, mantendo-a preparada para continuar a unir pessoas e territórios, a Ligar Destinos.